Segundo dia

A neblina deu abertura a um céu cinzento, continuo correndo contra o tempo, mas as flores não estão tão secas quanto da última vez, sempre oscila, todos os dias é uma expectativa diferente, mas nunca sei o que vai acontecer ou o quão intenso será o acontecimento.

Abro os olhos, pego o celular e vejo as horas, a vontade é de não sair da cama, e não ter que dar bom dia, muito menos ter que sorrir para com o próximo. Tem todo um planejamento para o dia, mas nada se concretiza, não há vontade de colocar em prática tudo que foi planejado. Não há facilidade de expressar sentimento, disseram que um profissional pode ajudar, veremos.

Falar a respeito da vida pessoal é algo que me incomoda muito, não gosto de dar abertura para o ser humano achar que pode palpitar ou interpretar de uma forma negativa o que digo, me importo, me desculpe os que dizem não ligar, mas creio que no fundo todo mundo tenta se encaixar num “padrãozinho” , e advinha, é isso que estou tentando trabalhar todos os dias, o não sufoco.

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Primeiro dia

Em todo o trajeto a única imagem são folhas secas caindo no emaranhado da neblina, não há sentimento, somente o vazio, não há cores, empatia é algo que desconheço, já utilizei algumas vezes, mas atualmente não me lembro como são os mecanismos que fazem a mesma funcionar. Deixa eu te contar sobre o aperto no peito. Começou a algum tempo, não sei ao certo, aperta bastante, dói, sufoca que não dá para manter um controle, quando o sufoco já está no nível alto ele escorre pelos olhos.

Gritos ecoam de dentro do peito, mas eu não os consigo soltar, a mente é uma tortura constante, mas não consigo falar. Tudo está bem, não fique assustado, já é uma rotina, você se adapta não consegue controlar, mas suporta.

Eu não tenho muito pra dizer

Mas o pouco que eu tenho me sufoca

São sorrisos seguidos de sorriso

São lágrimas seguidas de um grito abafado

Um coração que mistura dor e afeto

E por fim

Uma mente que não para

Pra onde ir?

Pra onde correr?

Só sei que o silêncio é meu melhor amigo

Amigo sensato que no meu grito abafado me conduz a luz.

Maria me disse que tu se fascina com o meu sorriso

Claro que eu já sabia

Mas ela me disse também que tu me achas “muito solta”

E sou mesmo, não sou rabo para seguir ninguém

Não quero uma sombra Quero um amor tipo pássaro, sabe?

Solto, vão e vem, cantam alegremente

Quero me refugiar próximo ao mar

Quero me entregar Me deitar com você sob a luz do luar

Sob meu gozo, será que ainda vai me achar muito solta?

Não ligo, desde que o meu orgasmo seja melhor que suas palavras

S.Milk

Regalias

Alguns crescem com regalias, outros crescem realizando regalias alheias;

Minorias sabem o que é ter regalias, afinal de contas, o que é “Regalia” ?

Pronto, já achou o significado, se você não sabe, você não é o público alvo;

Se você não é o público alvo, você é quem trabalha para dar regalias a eles;

Você não é o privilegiado, você quem faz o trabalho sujo;

Você quem vai limpar a sujeira que as regalias vão deixar.

S.Milk

Sociedade

Arma de um lado, tiro de outro

Guarda em um canto, menor escondido

Sociedade em crise, política decaída.

Filhos assassinados, mães em prantos

Famílias destruídas, drogas no comando.

 

Polícia sem limite, sociedade em desespero

O beco não é seguro, estão todos num bueiro

O Governo é um lixo, as pessoas não ajudam

Pouco a pouco cada um se afunda.

 

Esse é o dia-a-dia do brasileiro

Corre, corre de um lado, na mira da arma de um pistoleiro

Somos todos estuprados pelo governo

Pretos, pobres e sem educação

É assim que são vistos os de pouca condição.

 

O racismo ainda reina o preconceito no geral

E na vista de um burguês, você não passa de um marginal

Enquanto uns não comem nada outros comem de forma exacerbada

E assim meu caro o mundo segue

Você não passa de mais um herege

Contra o governo e contra a nata

Para os mesmos você é mais um

Sociopata.

S.Milk